BRASIL COLONIAL - II Parte

ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS

Embora em segundo plano, não podemos deixar de analisar outros produtos de importância na economia colonial do Brasil.

O tabaco e o algodão não consumiam tantos escravos como a cana-de-açúcar e as propriedades eram menores, mesmo assim, eram produtos de exportação e, no caso do tabaco, o comércio era fácil com a África, onde era trocado por escravos. O algodão servia para fazer roupas para os negros, enquanto que os senhores traziam suas roupas das manufaturas européias. Precisamos observar que Portugal proibia manufaturas nas colônias.

Embora a colônia produzisse apenas para enriquecer os europeus, com seus produtos exportáveis, precisava também sobreviver. O principal produto cultivado para o público interno era a mandioca, inclusive por ordem direta de Portugal com o objetivo de evitar as crises de abastecimento. Era plantado tanto pelos homens livres – sertanejo – em pequenas e médias propriedades, quanto por escravos, para a própria sobrevivência e, em muitos casos, contra a vontade dos senhores que não queriam desviar força humana dos canaviais.


EXPANSÃO TERRITORIAL

A expansão para o interior do Brasil ocorreu por vários motivos entre eles podemos citar:

- a pecuária;

- extração das drogas do sertão;

- ação dos bandeirantes para capturar índios e escravos fugidos;

- procura por metais preciosos.


A pecuária contribuiu para a expansão porque precisava de novos pastos e não podia ocupar os espaços destinados à cana-de-açúcar, que era a principal economia da colônia. Por isso o gado foi penetrando o interior do nordeste formando suas fazendas. Sua importância estava no fornecimento da carne e no couro para calçados e utensílios. O gado também servia como força motriz e transporte da época. Mas tarde, no século XVIII, o gado migrou para o sul onde se instalou fornecendo a carne de charque. Para isso foi fundamental o desenvolvimento da mineração do centro-sul. A grande população que ali se estabeleceu era basicamente alimentada por essa charqueada sulista.

As drogas do sertão eram uma atividade extrativa iniciada no Pára e prosseguindo na região amazônica. Seus produtos eram o cacau, o guaraná, a baunilha, cravo, castanha e ervas medicinais entre outros.

Se essas drogas eram importantes, precisamos também ressaltar que a região oferecia ótima base para se alcançar as ricas áreas de mineração do Peru. Por isso, durante a União Ibérica, os espanhóis tentavam colonizar a região a fim de expulsar ingleses, franceses e holandeses que cobiçavam o ouro e a prata peruanos. Esse movimento prosseguiu após a restauração do trono português, portanto, a colonização amazônica ocorreu por uma questão de segurança e exploração econômica. Várias das cidades que temos hoje começaram a partir da fundação de fortes e fortalezas instaladas para evitar a penetração estrangeira.

A expansão no centro-sul foi feita pelas expedições conhecidas como bandeiras. Os bandeirantes eram contratados por particulares (senhores) ou pela administração para capturar índios e escravos fugidos que poderiam formar quilombos. Além disso, os bandeirantes procuravam os metais preciosos tão cobiçados. Nessas expedições foram descobertas o ouro de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.

No que tange a oficialização das fronteiras, Portugal e Espanha assinaram o Tratado de Madri, em 1750 e, posteriormente em 1801, o Tratado de Badajós. O princípio adotado foi o “uti possidetis” que significava dizer que a posse da terra era de quem efetivamente colonizou (observe que não é quem colonizou primeiro, mas quem se fixou na terra).

No entanto, haviam terras descontinuadas e para resolver a questão foi feito um acordo onde Portugal cedia a Colônia do Sacramento para a Espanha e em troca recebia a Região dos Sete Povos, no atual Rio Grande do Sul. Uma discordância dos jesuítas, que dominavam a região, fez com que armassem os índios guaranis que combateram contra a dominação portuguesa, episódio conhecido como Guerra Guaranítica.


DA MINERAÇÃO À CRISE DA ESTRUTURA COLONIAL

No século XVII os bandeirantes conseguiram encontrar o tão sonhado ouro. Essa notícia atraiu e trouxe um grande contingente de colonos estrangeiros e nordestinos, interessados no enriquecimento. O resultado foi o vertiginoso crescimento demográfico de aproximadamente 300 mil para 3.300.000 de habitantes, principalmente na região mineira.

Portanto, a mineração também ajudou a colonizar o Brasil, mas não obstante, o fenômeno transformou a fisionomia colonial de rural para uma sociedade mais urbana. O eixo econômico foi alterado do nordeste para o sudeste, sem que a cana-de-açúcar deixasse de estar a frente das exportações. Houve a mudança da capital de Salvador para o Rio de Janeiro, em 1763, que também contou com a idéia de melhor colonizar e vigiar o sul da colônia. Novas estradas foram abertas para o transporte, tanto para escoar o ouro, quanto para abastecer a região. Por isso temos as tropas de muares que usavam mulas para fazer o transporte entre Rio de Janeiro e Minas Gerais, assim como para outras partes do território.

Outra conseqüência foi o surgimento de uma nova estratificação social (classe) por causa do trabalho livre da mineração e dos novos profissionais surgidos como os artesãos, carpinteiros, ourives, comerciantes, pequenos proprietários, e até o aumento do número de padres. Com a nova onda demográfica o comércio floresceu contribuindo ainda mais para o enriquecimento da área aurífera. A nova estratificação diminuiu a dualidade da sociedade que era dividida entre senhores e escravos.

Assim como na pecuária, também houve mobilidade social na mineração porque os livres podiam ascender, enquanto alguns negros escravos recebiam parte do que mineravam conquistando a liberdade, o que chamavam negros forros.

Na estrutura administrativa havia dois órgãos principais, a Intendência das Minas, responsável pela organização da área mineradora, e a Casa de Fundição, onde todo o ouro era derretido e transformado em barras para se evitar o contrabando.

Entre os impostos havia a cobrança do quinto sobre tudo que o minerador conseguisse. Com o esgotamento da mineração, já no século XVIII, a coroa começou a cobrar 100 arrobas de ouro fixas por ano o que equivalia a 1.400 kg aproximadamente. Quando não se alcançava o valor a coroa executava a derrama, que era a tomada dos bens da população da área aurífera pelos funcionários e soldados portugueses, fenômeno que desagradou profundamente toda a colônia. Some-se a isso que, ao perceber o declínio da atividade mineradora, Portugal impôs ainda a rigidez do pacto colonial superesplorando os colonos, fazendo-os se rebelar. A explicação para isso está na própria crise portuguesa frente as suas necessidades não supridas.

Outro fato relevante foi que as riquezas coloniais não permaneceram em Portugal, mas eram usadas para pagar suas dívidas e importações de manufaturas com a Inglaterra, ajudando o desenvolvimento do capitalismo e da própria revolução industrial em andamento.

O reforço do pacto colonial e a exploração fizeram aparecer várias rebeliões na colônia. Dividimos esses eventos em rebeliões nativistas, que não tinham interesse em emancipar a colônia, mas apenas protestavam contra uma situação caótica e de sofrimento; e as rebeliões separatistas, também conhecidas como inconfidências. Essas tinham o objetivo de separar o Brasil de Portugal.


INCONFIDENCIA MINEIRA - 1792

A inconfidência mineira foi uma tentativa de libertar o Brasil do pesado jugo português. Em suas influências estão a Independência dos EUA, ocorrida em 1776, a Revolução Francesa, detonada em 1789, e as idéias iluministas que também alimentavam ideologicamente as já citadas revoltas e as demais guerras por independência em toda a América colonial.

Os inconfidentes chegaram a conseguir o apoio internacional, como dos EUA. Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, fazia a comunicação do grupo com as camadas mais baixas da sociedade, mesmo o movimento não alcançando mobilização da massa popular. Era o mais ativista dentre os participantes da trama.

Após a denuncia feita por Joaquim Silvério dos Reis, em troca do perdão de suas dívidas com a coroa, o governador Visconde de Barbacena suspendeu a derrama e começou a efetuar a prisão dos inconfidentes.

A execução de Tiradentes foi pelo fato de ele ser o membro de menor relevância social do grupo e por ter sido o único a confessar o crime assumindo sozinho toda a culpa.

Foi a partir desse momento que observamos o início de algum sentimento de nacionalidade no Brasil, mas a importância da inconfidência só foi observada após a república quando se procurava heróis que lutaram a favor da emancipação do Brasil contra o colonialismo.


CONCLUSÃO

A colonização e a posterior expansão para o interior formaram o Brasil que hoje conhecemos. Para isso vários elementos contribuíram forçados por questões econômicas e de defesa do território. Enquanto que o nordeste manteve uma fisionomia rural, devido a cana-de-açúcar, o sudeste desenvolveu uma aparência mais urbana devido a mineração. A crise portuguesa e o esgotamento da produção aurífera aumentou o sacrifício dos colonos que começaram a se rebelar. Foi nessa situação que as inconfidências começaram a ocorrer. A situação foi mais tarde atenuada pela vinda da família real para o Brasil e nossa consagração a reino unido, mas a insistência do pacto colonial voltaria e a idéia de independência inovada até sua concretização no século XIX.

brasil colonial

quinta 18 junho 2009 14:52



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